Uma Corda, Um Cordel

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Uma aula virtual com a ferramenta legal

No Brasil a pandemia

Como fez com o mundo inteiro;

Mudou hábitos e costumes

Fez tumulto verdadeiro,

E causou mais que uma guerra,

No lar a todos encerra

Nada fez de costumeiro.

Lá em cima os homens brigam

Nos dizem o que fazer,

Lançam normas, nos obrigam,

Sem mesmo a gente querer

Sendo o povo cuidadoso,

Fica em casa temeroso

Só com o medo de morrer.

Profissional liberal

Agora não se reprime,

Muitos trabalham de casa,

“Home office” é o regime.

A Escola com o docente

Foi buscar isto, recente,

E claramente se exprime.

O Educandário Martins,

Onde trabalha o Renato

Jamais ficaria de fora,

Seus alunos têm bom trato.

Alunos do sétimo ano

Fundamental dois. O engano,

Não existe, isto é um fato.

Os professores agora

Em reclusão social,

Fazem profilaxia

Dando aula virtual.

Sexta feira dia três

De junho, mais uma vez,

O Renato fez igual

Preparou o aplicativo,

Arrumou então a sala,

Convidou os escritores

Fez as aulas por escala;

Usou tudo virtual,

Ferramenta digital,

Pra reverberar a fala.

Trouxe então dois literatos,

Erick Bernardes, o cronista,

O outro o Zé Salvador;

Este sendo um cordelista.

Os dois tendo afinidade,

Às duas horas da tarde

Foram dar aula entrevista.

O professor abriu um “link”

Chamou a galera ao vivo,

O grupo todo chegou

Com seu jeito expressivo,

Conhecendo a ferramenta

Todo mundo se apresenta,

Pra cumprir o objetivo.

Os alunos são brilhantes

Nos deixando perceber

Que têm useiro interesse

Pela mania de ler.

Pelos seus vocabulários,

Consultam dicionários,

Isto senti, pude ver.

Alguns mostram aptidão

Na arte de quadrinhar

E outros deixam bem claro

Que gostam é de postar,

Se metem onde couber

Tem aluno “you tuber”,

E almeja ser “pop star”.

Nesta galera tem gente

Que gosta mesmo da escrita,

Cada linha que escreve

O seu coração palpita,

Porém eu dou um conselho:

– Pegue os grandes como espelho,

Estude, leia e reflita.

Cada um que foi entrando

Nesta sala virtual,

Foi recebendo boa tarde

De maneira natural,

Poetas e o professor

Tratam com o mesmo valor,

Cada aluno por igual.

Vejam que o bom disso tudo,

É o respeito às diferenças,

Estes na cachola incutem

Que tem variadas crenças,

Nada impede em qual atua,

Pois cada qual tem a sua

E Deus não cobra sentenças.

Estes meninos são novos,

Já disseram a que veio,

Têm visão esclarecida

D’onde vivem, e seu meio.

O respeito as diferenças,

Praticam com suas sabenças;

Ficou isto claro, e creio.

Renato nos apresenta,

Porém, já nos conheciam,

Das mídias, talvez, quem sabe,

N’algum lugar já teriam

Lido algo, ou visto a imagem

Em alguma reportagem.

Suas falas sugeriam.

A cada aluno chamado

Era uma grata surpresa,

Quando faziam perguntas,

Em detalhes com riqueza

Além de ser coerente,

Deixava claro pra gente,

O seu falar com firmeza.

Foram feitas as perguntas,

Que eu não me lembro agora

A ordem que fez, cada aluno,

Respondidas sem demora

Pelo Erick, o escritor,

E também Zé Salvador

Dando a resposta sonora.

Para os alunos que estão

“Nesta” ao vivo, mas distante,

Têm as alunas Stephanys,

A Lopes, e a Cavalcante

Na vanguarda das regentes

Alunas inteligentes

Cada qual a mais brilhante.

Julia e Maria Luiza

Trazem um sorriso feliz

Caio Duque se expressou

Espontâneo como quis,

Maria Eduarda junta

Com Gabriel fez pergunta

Bem depois de Beatriz.

Nesta aula o tempo todo

Querem saber referências,

Como a gente começou,

Quais foram as influências;

Mais perguntas e respostas

Sobre tendências impostas

E quais nossas preferências?

Eles também perguntaram

Se a gente quis desistir,

Se foi fácil ou foi difícil

Para a gente prosseguir

Com o sonho de escritor?

Nós dissemos: – com amor,

Lutamos pra resistir.

Perguntas interessantes

Foram feitas sem chavão.

Os alunos Bruno e Pedro,

Querem sabe de antemão:

Como foi bem lá no início,

Se a leitura é nosso vício,

Pedem nossa opinião.

Esclareço, Erick também,

Cada qual como se deu:

Ele, é do Rio de Janeiro,

E do Nordeste sou eu.

Nossa infância diferente,

Também não podou a gente,

De sonhar não nos prendeu.

Quais são suas influências?

Qual o escritor predileto,

Que vocês seguem o exemplo

Iago foi simples, direto.

Erick diz: – Graciliano.

Zé responde: – Não me engano,

São tantos, poucos eu veto.

Mas tem Augusto dos Anjos,

Meu bardo de cabeceira,

Este um cientificista

Com saber na algibeira;

Tem Leandro cordelista;

Erick um grande prosaísta

Que rola na minha esteira.

Sem mudar foco nem prosa

Renato, vez outra, entrava

Ajudando algum aluno

Que por vezes perguntava,

Quando não era entendida

A pergunta feita, ouvida,

Ele então elucidava.

Segue legal a entrevista,

Luyane pergunta então;

Querendo saber de tudo

Para aprender a lição.

Do jeito que ela indaga

Sua delicadeza afaga,

Do poeta, a explicação.

Sem muito mudar o estilo

Indaga com melodia,

Numa pergunta bem simples:

– Quem escreve todo dia?

Diz Erick, nos bate prontos:

– Escrevo crônica e contos.

Diz Zé: – Escrevo mais poesia!

Logo é Mel quem pergunta

No estilo de Emanoel

A cada um: – Prosa ou poesia,

A qual das duas é fiel?

Erick, responde: – Á prosa.

Zé diz: – Poesia rigorosa,

Fascinante, do cordel.

Meio a tantas perguntas

Entrou o Kaio Marcelo

Leu um texto muito rico

No estilo bate o martelo

Pois segue o Rapper escritor

O Gabriel Pensador

Escrevendo um texto Belo!

Quinze alunos dois poetas,

No lar em confinamento

Seguindo a um professor

Reúnem-se com argumento,

Pra fazer aula ao vivo

E tornar mais positivo

Este longo isolamento.

Esses dezoito* do forte

Que nem do exército são

Com as suas ferramentas

Faz outra revolução

Trazem armas com orgulho,

Não são daquelas de julho

São armas pra educação.

*Em 05 de julho de 1922, houve a Revolta dos 18 do Forte (Revolta do Forte de

Copacabana cidade do Rio de Janeiro) durou um dia. Primeira revolta tenentista, na república velha

Versão de Amostra

Essa é apenas um pequeno trecho da obra completa.