Uma Corda, Um Cordel

Menu

RAÍZES DO ALAGAMAR

APRESENTAÇÃO

Projeto SESC Cordel

O projeto Sesc Cordel Novos

Talentos, busca contribuir com o

desenvolvimento da literatura de cordel,

uma das mais ricas expressões artístico/

literárias do nosso estado.

As Unidades do Sesc Ceará, realizam há

quase 10 anos o lançamento dos títulos

com o objetivo de dar visibilidade e

espaço para a criatividade de autores

de todo o estado, cuja produção não

chega às editoras.

Durante sua existência, o Sesc Cordel

Novos Talentos vem cumprindo a

função de realizar um importante

papel de criação, desenvolvimento

e revigoramento desta linguagem de

aspectos tradicionais e contemporâneos.

Entre a ações, estão o lançamento de

inúmeros títulos de folhetos inéditos,

uma riquíssima produção de xilogravuras - arte plástica que compõem as

capas dos folhetos - o lançamento de

novos poetas, a realização de encontros

regulares de cordelistas e o fomento de

grupos de estudo, pesquisa e produção

em literatura de cordel.

Como projeto de referência do Sesc

Ceará, a iniciativa ganhou vários

prêmios, dentre eles o prêmio Rodrigo

de Melo Franco, do Instituto do

Patrimônio Histórico Artístico Nacional

(IPHAN), em 2003, o premio Romão

Batista de Arte, Cultura e Incentivo a

Cultura, em Juazeiro do Norte, tendo

participado ainda de vários eventos e

feiras por todo o país, destacando-se

sempre pela pela iniciativa de projeto

editorial.

As edições do Sesc Cordel vem

ampliar esta história e nos contar tantas

outras que ganham vida nos folhetos,

através da riqueza imaginativa dos seus

autores, das ilustrações dos xilógrafos,

e dos causos que constituem infinitas

possibilidades, criativas e culturais.

RAÍZES DO ALAGAMAR

Autor: @Juniordocordel

O melhor lugar do mundo

É onde escolhi morar.

Onde o tempo até parece

Parece até não passar.

Sou feliz na minha morada

Daqui não saio por nada

Sou feliz no Alagamar.

Lugar de belas histórias

Do presente e passado

Desde o velho Alagamar

Por todos homenageado

Sempre iremos relembrar

Passe o tempo que passar

Pois deixou o seu legado.

Das famílias ribeirinhas

Do rio solto a descer

O plantio de vazantes

O sol cedinho a nascer.

A nossa rica cultura

Artesanato, agricultura

Tudo nos dava prazer.

Pescaria sempre farta

Porco, ovelha e capote

O gado solto no pasto

No fim de tarde o esporte.

Até que o Velho Alagamar

Saiu de lá e veio pra cá

Continuar nossa sorte.

Da Velha Jaguaribara

As águas do Castanhão

Encobriu o que no passado

Foi para nós um torrão.

Como se fora uma trama

Nasce em Jaguaretama

Uma nova população

Famílias esperançosas

De um novo tempo viver

Acostumadas a tropeços

Sem nunca esmorecer

Fortes, juntas, irmanadas

E sem fugir das jornadas

Fizeram tudo acontecer.

E uma nova Comunidade

Nasceu da luta travada

De cada homem e mulher

Buscando nessa jornada

Uma vida nova iniciar

Os seus sonhos realizar

De forma firme e centrada.

Em perfeita harmonia

Com a rica natureza

Famílias são alocadas

Muita dúvida, incerteza

Corações apreensivos

São momentos decisivos

Misto de alegria e tristeza

O Rio que corria solto

Agora preso ele está

Euforia pra todo lado

É o sertão virando mar

Projetos de irrigação

Fartura, Plantio, criação

E a vida a melhorar

Com casas bem planejadas

Área livre, um vasto quintal,

O espelho d’água a moldar

O nosso espaço vital

A rua dos aposentados

Todos muito bem alocados

Num belo quadro natural

A vida se reorganizando

Buscando a normalidade

Uma nova convivência

Aproximação, amizade

E o velho Alagamar

Vez ou outra a voltar

Travestido de saudade

Aos poucos as casas vão

Criando formas e cores

Cebolinha e o coentro

Destacam entre os sabores

Hortaliças e medicinais

Os quintais cada vez mais

Trazendo novos valores

Os pequenos animais

Começam a fazer festa

Galinha, porco, capote

O sol através da fresta

Aos poucos o Alagamar

Vai se tornando o lugar

Da paz, sossego, da festa.

No espaço destinado

Ao convívio social

A religião está presente

E de forma natural

Numa grande irmandade

O respeito à diversidade

A ética e a moral

Com a incorporação

E de forma alvissareira

A escola é rebatizada:

Mª do Socorro Alves de Oliveira

Uma homenagem merecida

E assim foi reconhecida

Uma professora guerreira

Um local de formação

Uma Escola importante

Que desde dois mil e seis

Deste período em diante

Pré-escola e o fundamental

De uma forma natural

Passou a ser constante

Dificuldades enfrentam

Isso não dá pra negar

Mas seu valor é maior

Para que possa mudar

Toda uma realidade

Que não é só da comunidade

Mas está em todo lugar.

E mesmo a contragosto

A realidade mudou

E o ensino fundamental

Para a cidade mudou

Ficou até o segundo ano

Pro futuro um novo plano

Continuar onde começou.

Água que é fonte de vida

Que traz riqueza e fartura

Com a seca que se instalou

Transformou tudo em secura

Os sonhos e a bonança

Mudou pra desesperança

Abalando a estrutura

A estrutura do sertanejo

Mesmo forte e batalhador

Viu o seu sonho virar

Um verdadeiro dissabor.

Enchendo de desilusão

Seu sofrido coração

Já carregado de dor.

Vimos o pouco da água

Do enorme Castanhão

Ser canalizado, levado

Para uma outra região,

Para o rico mais fartura

Para o pobre amargura

Mais pobreza no sertão.

Não se trata de egoísmo

Nem falta de empatia

Mas Dotô, qual é a lógica

O Sinhô me exprica um dia!

Ao lado do meu quintar

A água demora chegar

Pra tirar nossa agonia.

Mas para os zoto, Dotô

É tudo muito ligeiro

Chega água à vontade

Prá nóis, só vem derradeiro,

E é mais por ação divina!

Espero que um dia essa sina,

Se afaste de nós por inteiro.

A nossa Comunidade

Vai manter a tradição

E vai se manter à frente

No plantio de feijão

Gado de leite e corte

Sem reclamarmos da sorte

De mãos dadas com o irmão.

Aguardando o sonho de ver

O mar no nosso sertão

Continuaremos plantando

E mantendo a tradição

De sequeiro e vazante

Continuaremos avante

Até voltar a irrigação.

Delimitando as mangas

Para o nosso gado criar

A plantação de capim

Para as vacas alimentar

De cada coisa um poquim

Até que o tempo ruim

Se vá pra nunca voltar.

Cuidar do pouco que resta

Das nossas matas nativas

Para que os nossos filhos

Possam ter expectativas.

De uma vida melhor

E com Deus o criador

Futuras perspectivas

O encanto das matas

Que cercam nosso terreiro

O Velame e o mandacaru

Jurema preta e o pereiro

O Angico e a Catingueira

Pinhão bravo, trepadeira

O belo e rico cajueiro

Este é um compromisso

Que precisamos cumprir

Não importa a condição

Não podemos desistir!

Cuidar do meio ambiente

Zelando por toda gente

Que espera muito daqui

Fazemos os nossos planos

Que sempre podem falhar.

Mas tem os planos de Deus

Em que podemos confiar.

Nas mãos dele entregamos

Para que os nossos planos

Possam se concretizar.

Continuemos atentos

A tudo que está por vir

Lutemos pra nossa gente

Não ter que sair daqui.

Com decência e trabalho

Teremos paz e o cascalho

Conquistado por aqui.

Manter viva a esperança

Pra que não venha a faltar.

Sempre firme, pé no chão

Zelando o nosso lugar.

Aqui é o nosso torrão

Está em nosso coração

Nosso querido Alagamar!

BIOGRAFIA

NOME: Francisco Silva Júnior

PROFISSÃO: Professor e Cordelista

NATURALIDADE: Jaguaribe-Ce

FORMAÇÃO:

Pedagogia - URCA - Universidade Regional do Cariri

Processos Gerenciais - Estácio de Sá

Especialização em Gestão Pública - UECE

Universidade Estadual do Ceará

Atualmente exerce a função de professor no IEC -

Instituto de Educação do Caerá.

Instagram: @juniordocordel

Agradeço a Professora Judite Chaves, Cidade de Jaguaretama-Ce, pela parceria e apoio na condução deste cordel.