Uma Corda, Um Cordel

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O Incenso da Poesia Borrifado na Vida de Edu Maciel

Deus no pretérito perfeito,

no eco, do indicativo

moldou de um barro sintético

em três D no aplicativo

do jeito que Ele bem quis

sem precisar de um motivo.

Foi no ateliê celeste

que Deus com cinzel de ouro,

esculpiu esse modelo

sem regateio de louro,

chamou um casal do bem

e lhe deu esse tesouro.

Translúcida inteligência,

– essa Inteligência Divina –

juntou sensibilidade,

com bastante adrenalina

com genes de boa estirpe,

devolveu “AutaMenina”.

Pai, Luciano Videira,

se desmancha em alegria.

Mostrando veia poética

numa bela parceria,

com Sueli Maciel

tornou viva a poesia.

No dia cinco de outubro,

à fila dos nascimentos,

– Eduardo Maciel –

formava com mais “rebentos”,

das mãos do Supremo Artista

ganha um buquê de talentos.

No ano setenta e oito,(1978)

na linda Rio de Janeiro,

– não nasce – estreia o menino,

do ventre duma Monteiro.

Sueli chora e sorri

lhe dando o beijo primeiro.

Para os “Maciel Monteiro”

foi alegria geral,

a festa estava estampada

desde a ida ao hospital.

O lar ficou mais bonito

com este ar maternal.

Um cheiro bom de alfazema

daquele quarto exalava,

de forma que o incenso

pela casa se espalhava,

gostoso, um cheiro de paz,

banhando a quem visitava.

Porém, passou alguns anos,

e o menino já crescido,

a normal necessidade,

houve, de ser inserido

nos estudos, e foi feito

do jeito mais merecido.

Estudou num bom colégio

aqui no Rio de Janeiro,

o tradicional São Bento,

dito, o melhor, brasileiro.

Nos estudos foi zeloso,

estudava o tempo inteiro.

Tão fissurado que era,

que os pais para puni-lo

por alguma traquinice,

adotaram como estilo

tirar-lhe das mãos os livros,

cobrando assim seu vacilo.

Os livros que sempre foram

seus companheiros diletos,

e disto ele se orgulhava,

não eram amigos secretos.

Os seus pais sabendo disso,

usavam poder de vetos.

As pequenas traquinagens

não eram de grande usança.

No rígido ângulo dos pais,

educação como herança,

puniam mandando ao “play”,

pra ser um pouco criança.

Para as artes já pendia

desde a sua tenra infância,

mostrando o amor aos estudos

e pela sua constância,

no agarramento aos livros,

pra eles dando importância.

Foi no vasar da ampulheta

que o tempo se fez passar.

MACIEL bem nos estudos,

prestando o vestibular

pra direito, se deu bem,

com o primeiro lugar.

Isto na UFRJ,

na colocação geral,

dando-lhe o poder de escolha.

Sendo mais perto o local

decidiu pela UERJ,

que pra si foi ideal.

A faculdade inicia,

agora em tempos agudos,

por conta de trabalhar

desacelera os estudos,

mas não abandona o curso,

os dois serão seus escudos.

Sempre foi muito aplicado

em tudo que fez e gosta.

Foi destaque no colégio.

Se na vida tem proposta

desempenha, e com vontade.

Todas as fichas, aposta.

Nas andanças por emprego

trabalhou na Air France,

depois em consultoria,

– foi quase como um “freelance” –

também trabalhou na Vale,

teve após, crise em nuance.

Esta crise se apresenta

entre quinze e dezessete,

e vem roubar-lhe o emprego

com um preparado escrete;

foi lhe consumindo os bens,

vestida como vedete.

Não satisfeita, esta crise,

o leva a consumação

e abuso de substâncias.

Subjugado à tensão

começa um período brabo,

de uma grande depressão.

Esta luta não foi fácil,

brigou consigo e a razão.

Ganhou o “ego sum qui sum”,

temperando a emoção.

Fez o toldado assentar

com a fala de exaltação.

Foi um anjo terapeuta,

que há tempos lhe acompanha,

que o fez partir pra a cura

através duma campanha,

com boa literatura:

“Use sem fazer barganha”!

Com afinco estuda a lição,

sem determinar um prazo.

Procura lá nos primórdios,

faz viagem ao parnaso;

dá conta, então, do recado,

não é coisa do acaso.

São muitas experiências

que essa vida nos derrama.

Pois é feito nau errante,

que viaja e não reclama,

ensimesmado, esse Aedo,

agora as artes proclama.

Feito a nau que singra mares

com borrascas e precipícios,

queima os miolos de Deus

que sempre faz sacrifícios,

nas suas eternidades

e o prendou com benefícios.

Trazendo para esse barco

diversos bons utensílios,

Deus brinca de vez em quando

e muda esses domicílios.

Mas a nau nunca abandona

e se desmancha em auxílios.

No endereço do silêncio,

traz a palavra não dita.

Neste lugar que é sagrado,

a criatividade habita.

Se concreta ou abstrata,

não tem na arte a desdita.

E despeja as sete cores

pintando o vocabulário,

pois cada palavra usada

se faz termo necessário.

Pega sons, cores palavras,

os torna um só, voluntário!

Manufatura os verbetes,

faz rococó e alinhavos.

Traz arco-íris nas cores,

de longe não faz agravos;

cirze bem seus argumentos

faz com as artes conchavos.

Numa peneira ou funil

passa as onomatopeias.

Vocábulos mistura aos sons,

criando novas ideias.

Ideias novas criadas,

conquistam novas plateias.

Despejada em lisa fôrma

é som, imagem, é tela.

Pelas mãos do artista é feita,

e no ato, Deus se revela.

No pensamento ou no traço,

duma simples aquarela.

Seguindo a estrada dos sonhos,

ou nas águas das lonjuras,

não traz traumas encrostados

criados em fundas luras.

Enterra seus zumbis vivos,

vive as suas aventuras.

Na vivenda do retumbo

Põe eco profundo e cavo,

reflexo do som grifado

do instrumento em conchavo,

que se atreve a rubricar

sem medo de ser agravo.

Sem agravo esse argumento,

fala de novos projetos:

número sete, cabalístico,

com livros irrequietos,

são sonetos inovados

que não são nada discretos.

Com amor ao diferente

se liga, assina contrato.

Mistura o tradicional,

como fez com “SonetATO”.

E com o “SonetIMAGEM”,

estes, já serviu no prato.

Nos planos inda tem mais,

“SonetILUSTRA”, o terceiro,

este fala com desenhos.

E o próximo companheiro,

é o “SonetONS”, musicado,

vai virar som verdadeiro.

O quinto é “SonetERROR”

que vem cheio de suspense,

o sexto é “SonetEMPERO”.

Este, ninguém o dispense,

pois traz um bom paladar

e nossa gula é quem vence.

O sétimo é o “SonetEATRO”,

último dessa coleção,

que será feito em monólogos.

A sua composição

é para ser encenada,

com boa apresentação.

Também na Kuruma’tá

faz suas publicações:

contos, matérias diversas.

E faz apresentações,

com vídeos de entrevistas,

nalgumas televisões.

Com esboços navegantes

visita o campo das artes,

escreve com o mouse livre

fazendo parte das partes.

Tem sua música inserida

e dela não faz descartes.

Causando a perplexidade

com a visão de aventura,

é premiado em concursos,

em coletâneas, figura;

já ganhou títulos e prêmios,

com sua literatura.

Eduardo Maciel,

um multimídia completo,

tem bastantes seguidores

e este é um público seleto.

Nas mídias que ele atua,

todos o seguem direto.

A sua verve é versátil,

tem arte no coração:

Veste, dorme e come arte.

Arte é sua diversão;

prova disso é que ele a traz

tatuada em sua mão.

E foi numa certa noite

de autógrafos, pra ser exato,

que conheci Maciel

poeta E(du) “SonetATO”,

incrível criatividade,

neste ele inovou de fato.

As artes que ele pratica

mostram o artista de fato.

É de fato um bom poeta

e sabe tirar retrato;

faz um som com maestria,

bonito sendo inexato.

Nada que faz é perfeito,

– daí sua perfeição –

dá recados criativos.

E traz, na palma da mão,

do seu gene mais antigo,

a sua continuação.

No côncavo destes sonetos,

traz a feitura do amplexo,

com imagem, que rabisca,

para servir de convexo.

Depois dessa obra pronta,

até Deus fica perplexo.

Versão de Amostra

Essa é apenas um pequeno trecho da obra completa.