Uma Corda, Um Cordel

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O Homem que Mijava Sentado

Um cordel com esse título

Parece até brincadeira,

Mas não vou contar piada

Nem também dizer besteira.

Vou falar de educação,

De saúde e prevenção

Narrarei dessa maneira:

Ele era um "lord inglês",

Pessoa de fino trato.

Educação esmerada,

Para falar tinha tato.

Nas palavras, comedido

Pois havia recebido

Civilidade de fato.

Seu nome: Cáustico Brando,

De origem nordestina.

Família de classe média,

A mãe, dona Josefina.

Muito discreta, educada,

De "Dona Fina", chamada,

Alma pura, cristalina!

Seu pai era conhecido

Por ser homem muito sério.

Seu trabalho, muito nobre,

Exercia o magistério.

Da polícia, coronel,

Um homem reto, fiel,

Não cometia adultério.

Brando vivia antenado

Com tudo o que acontecia.

Procurava informação

Para tudo o que ouvia.

Gostava muito de ler

Mais ainda de escrever

Sobre os exemplos que via.

Aprendeu a redigir,

Os versos metrificando.

Tornando-se um cordelista,

Tudo muito bem rimando.

Com poesia em seu sangue

Parecia um bumerangue,

Poemas indo e voltando.

Gostava de dividir

Com o mundo exterior

Tudo aquilo que seus pais

Lhe ensinaram com amor:

Ter muita amabilidade,

Declarar toda a verdade

Mesmo se causasse dor.

Experiência pra ele

Era fato consumado,

Pois jamais botava em prática

Sem ter experimentado.

Testava na intimidade

Antes de ir à cidade

Propagar um seu achado.

Certo dia ele escutou

Numa rádio educativa

Um programa interessante

De saúde preventiva.

Quando uma apresentadora

Que era também professora

Fazia uma narrativa.

Alertava seus ouvintes,

Os homens, principalmente,

Para a higienização

De seus membros, tão somente,

Para evitar ter doença

Pois a maioria pensa

Que nunca fica doente.

Medicina preventiva

À higiene, aliada,

Favorece ao ser humano

Durante a sua jornada.

São muitos os benefícios

Evitando os mil suplícios

De uma vida desregrada.

A limpeza duma casa

Em que o ser humano habita

Também é primordial

Pois além de ser bonita

Deve ser bem asseada

Lavada, desinfetada

E livre de parasita.

Mas, voltando ao tal programa

Da rádio educativa,

A sua apresentadora

Uma bela e grande Diva!

O seu nome? Beatriz,

Brilhante como verniz,

Uma moça objetiva.

Convidou ao seu programa

Um famoso especialista,

Bom médico de renome,

Competente urologista.

Pra falar de certo tema

Que pode virar problema

Se não for exposto à vista.

O médico comentou

De maneira bem real,

Muito clara, objetiva,

E também bem natural,

Sem ligar para tabu

De modo direto e cru,

A prevenção de um mal.

Ele expôs em sua pauta

A matéria das doenças

Transmissíveis pelo sexo

Deixando de lado as crenças

Existentes sobre o tópico,

Pois um germe microscópico

Pode trazer desavenças.

Como ponto de partida

Uso de preservativo.

Ele causa grande impacto

Evitando o curativo

Nas causas fisiológicas

E também psicológicas

Esse é o seu objetivo.

Ele pediu atenção

Para o asseio pessoal.

Roupas limpas, bem lavadas,

E o banheiro assim igual

Desinfetante no vaso

Para evitar o descaso

De uma infecção banal.

Ensinou que era sentado

Que o homem devia agir

Quando quisesse urinar

Para a saúde fluir.

Depois enxugar-se bem,

Isso sim é o que convém

Sem doenças transmitir.

Pois assim, o “lord Inglês”

Com cuidado ia ao banheiro

E depois de usar o vaso

Para evitar o mau cheiro,

Muito feliz se enxugava,

Papel higiênico usava,

Isso era corriqueiro.

Por fazer assim, sentado,

De males se precavia.

Tinha esposa satisfeita,

Pois nunca precisaria

Secar a tampa do vaso.

— Com esse homem me caso,

Cem vezes me casaria.—

Além de evitar doenças

E manter a higiene,

Conservava a simpatia

E o casamento perene.

Sua esposa o estimava,

Com ele sempre brincava,

Mantendo-se sempre lene.

Ela nunca imaginou

Que do povo nordestino

Surgisse um homem assim,

Educado e muito fino.

Mas o que do berço vem

Não se tira de ninguém

Foi assim desde menino.

Dulcíssima Alma, a esposa,

Veio do Sul pra brilhar.

Quem a conhece proclama

O seu grande dom de amar.

Onde ela põe sua mão

Causa valorização,

Brilhante o seu lindo olhar.

Sua inteligência acima

Da média pré-existente,

No amor ela é perfeita

Deixando Brando contente.

Harmonia até na dor

Norteando o seu amor

No passado e no presente.

Pois assim Brando vivia

Na mais perfeita união

Com Dulcíssima ao seu lado

Tudo era perfeição!

O amor movia essas vidas

Com rosas e margaridas

Transbordando de paixão!

Pois bem, meus caros leitores,

Essa história é real.

Pois Cáustico Brando existe,

Dulcíssima assim igual.

A rádio educativa,

Beatriz, a grande diva,

É tudo existencial.

E também o urologista

Que ensinou essas ações

Existe de carne e osso.

Suas recomendações

Foram tantas e tão boas,

Que geraram entre as patroas,

Muitas comemorações.

Celebravam seus maridos

Por serem tão educados

Não deixando as cuecas

E os vasos ensebados.

Nem transmitindo doenças,

Evitando desavenças

Eram assim muito amados.

Mijar sentado é tão bom,

Procure evoluir.

É um direito que há

Como aquele de ir e vir

Sente-se para urinar,

Pois é muito salutar,

Você pode conferir.

Esqueça todo o machismo,

Pois isso é grande besteira.

Faça o que quiser da vida

Plantando até bananeira.

E dê cambalhota agora,

Rolando assim mundo afora,

Feliz, sem eira e nem beira!

Pois assim, leitor amigo,

Não tenha vergonha disso.

Saúde é primordial.

Faça disso um compromisso.

Não ligue pra preconceito,

Pois se você faz direito

Ninguém tem a ver com isso.

Versão de Amostra

Essa é apenas um pequeno trecho da obra completa.