Uma Corda, Um Cordel

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FAMÍLIA, NOSSO MAIOR PATRIMÔNIO

FAMÍLIA, NOSSO MAIOR PATRIMÔNIO

Autor: Júnior do Cordel

(Baseado no documentário, Heranças Preciosas, veiculado pela TV Assembleia Ceará)

Dos inúmeros documentários

Que estão nas redes sociais

Dizemos que alguns estão

Dentro dos padrões normais.

Mas tem aqueles que marcam

Nesse universo se destacam

São os ditos, especiais.

Foi o que tive o prazer

De no YouTube encontrar

Pela TV Assembleia

Do Estado do Ceará:

De uma família, a História

Que de forma satisfatória

Tenho orgulho em contar.

É no sertão de Canindé

Onde a história inicia.

Com os filhos, Sr. Evaldo

Sereno e com maestria

Descreve o que viveu

E apesar do que sofreu

Diz: - Era feliz e num sabia.

Morando num lugar seco

Onde aprendeu a superar

Com garra e sabedoria

As agruras do lugar.

Buscar água pra beber

Ele tinha que percorrer

De meia légua pra lá.

Casado com Dona Hatiane

E seis filhos para criar.

Apesar das dificuldades

O que tiveram de passar

Trouxe do pai a herança

Os versos desde criança

Que o escutava declamar

Relata um arrependimento

Dum causo que lhe ocorreu

Jogou fora uns rabiscos

Que o avô Fitico lhe deu.

Se lembra? Foi questionado

Sem se sentir acuado

Rapidinho os descreveu:

“Hoje eu tô com 90 anos

Que cheguei neste mundo

Me criei nesse lugar

Não sai pra canto algum

Nunca vi uma cheia

Como a de sessenta e um.

Essa cheia foi tão grande

Que me fez admirar

Chovia a noite inteira

E os rios a transbordar

E os nossos pés de legume

Sem poder se levantar.

Era uma cheia tão grande

Que causou admiração

O rio transbordando

Lamaceiro pelo chão

E a floração da madeira

Jogando galho no chão”

(Versos do Sr. Fitico, declamado pelo Sr. Evaldo Lima no documentário)

Com essa herança poética

Que no seu sangue encrustou.

Na educação dos filhos

O seu legado continuou.

Após sua lida campeira

Na sua espreguiçadeira

Era um exímio leitor.

Com os filhos ao redor

Levava-os a viajar

Nos contos e nas histórias

Em voz alta a declamar

Até a boca da noite

O vento dando açoite

No aconchego do lar.

Assim relatam os filhos

Com orgulho ao falar

Klévisson Viana ao lado

Sr. Evaldo a escutar

O depoimento do poeta

Que com firmeza atesta

Como aos livros veio amar.

Segue o relato dos filhos

Pra eternidade gravado.

Marcos Viana relembra

Os banhos frio, gelado!

Pela mãe carinhosamente

À tardinha, no sol poente

Um a um era banhado.

Até trocados do Avô

Recebiam pra declamar.

Era a maior correria

Pra umas moedas ganhar.

Autemar só observando

E pouco participando

Falando mais com o olhar.

O Rádio Semp, no aparador

Relatado por Arievaldo.

As músicas no despertar

Por um artista afamado:

Nosso Jackson do pandeiro

Nordestino, o Trio forrozeiro

Pelo sertanejo aclamado.

Aos domingos o Programa:

Do Guajará no Varandão

Onde Klévisson relembra

Com carinho e emoção.

Os momentos de escuta

Da declamação matuta

Nas entranhas do sertão

Toda essa imersão

Nos meandros da cultura

Despertou nos seis irmãos

O gosto pela literatura

Desde as mais populares

A dos altos patamares

Ganharam desenvoltura

Grandes nomes são latentes

E são citados sem temor:

O Mestre Alberto Porfírio

Patativa o grande doutor.

Nomes de grande importância

Cuja significância

É reforçada com fervor.

Pois todos contribuíram

Para a cultura popular

Despertando o interesse

Levando-os a se interessar.

Pelos Clássicos nacionais,

Olavo, entre outros mais,

Vieram para ressignificar.

A interação dos irmãos

É mostrada ao declamar

Onde Arievaldo Viana

Juntamente com Autemar

Fazem uma interação

Numa bela declamação

Que vale a pena citar:

“No sertão atualmente

Ninguém se diverte mais

Porque o Tenente Paz

Acaba com a paz da gente

Aterroriza o ambiente

Onde há divertimento

Até briga de jumento

Se houver gente pagando

O Tenente Paz chegando

Vai cobrar vinte por cento”

(Poema de José Porfírio, declamado por Arievaldo Viana (in memória) e Autemar Viana)

Esse mundo literário

De geração em geração

Perpetua-se na família

Está semeada no coração.

Não dá tempo de pensar

Já vem nos presentear

Com mais uma declamação:

“Eu fui arrancar um Peba

Lá no Alto da Chibanca

Peguei no cedem do Peba

Meti por baixo alavanca

E o Peba deu um gemido

Ai Deus! Hoje meu rabo se arranca”

(Poema de domínio público, Baião da Gemedeira, declamado por Sr. Evaldo Viana)

Mesmo o que admite

“Eu não nasci pra cordel”

Assim falou Itamar

Revelando o seu papel

De competente vendedor

Pois faz isso com amor

Das vendas é o menestrel.

Herança que recebeu

Da mãe que é criativa.

Além de dona de casa

Tem grande iniciativa

Costura, serviços gerais

Bordados e muito mais

Determinada e altiva.

Apesar das dificuldades

Dos filhos para criar

Cinco homens, uma mulher

Enfrentaram sem reclamar.

Um exemplo de criação

Que prevalece a união

E a harmonia do lar.

“O melhor pai do mundo”

É a frase mais marcante.

Duro, firme com os filhos

Presente, sempre atuante.

Exercendo a liderança

Marcando a sua presença

Um verdadeiro gigante.

Educação pelo exemplo

Com atitude e ação.

Demonstrando a importância

Da presença na criação.

Uma família tradicional?

Ou uma família normal?

É ampla a definição.

Pois mesmo ante ao modismo

Que o Klévisson revelou

A família tradicional

Ainda não se acabou

Resistindo bravamente

Isso nos deixa contente

Pelo que ela nos deixou.

Um legado importante

Que perpassa gerações

Exemplos que são seguidos

Nos mais distantes rincões.

Parabéns Sr. Evaldo

Me sinto vangloriado

Por todas suas lições.

Concluo aqui os meus versos

Baseado em fatos reais.

São Heranças Preciosas

Deixadas por nossos pais.

Família é a base de tudo

Sejam modernas ou tradicionais.