Uma Corda, Um Cordel

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CARTA DE SATANÁS A TASSO JEREISSATI SOBRE A PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA | Texto coletivo |

Inferno, Corte das Trevas,

24 do mês seis

Eu escrevo essa missiva

Com coragem e altivez

Para parabenizar

O senador de vocês!

Grande Tasso Jereissati,

Orgulho aqui das Profundas,

Não cansa de amealhar

Pra suas contas rotundas

Dinheiro até mesmo à custa

Das pessoas moribundas.

Aproveita a pandemia

Momento de desespero

Para levar mil vantagens

Do povinho brasileiro,

Pois pouco lhe importa a vida,

Só tem valor o dinheiro.

Por isso até sinto inveja

Das grandes calamidades.

Aqui você é destaque

Entre as grandes sumidades,

No inferno um cão não tem

Seu rosário de maldades.

Tu és gênio, camarada!

Porque nunca pensei nisso?

A água que é bem vital

Luta para dar sumiço;

Tiro o chapéu e lhe louvo

Por planejar tudo isso!!!

Senador, o próximo passo

Que você deve pensar

É cobrar a luz do sol

E o ar privatizar

Para que seus eleitores

Paguem para respirar!

Nesse inferno aí da Terra

Você supera o capeta.

Seus projetos diabólicos

É sempre grande faceta.

Quem vota em você merece,

Chapéu de otário é marreta!

Aproveito esta missiva

Pra lhe parabenizar.

Jogue duro, bote quente,

O segredo é massacrar.

E como contrapartida

Reservei o seu lugar.

Tu sabes, somos amigos,

Você é grande parceiro.

Já lascou o Ceará

De Sobral a Juazeiro

Agora o plano execrável

É lascar o Brasil inteiro.

Meu galeguinho, esta carta

É seu comparsa quem posta.

Já sei que você me atende,

Pois do seu amigo gosta,

Faça tudo que lhe peço

E nem precisa resposta.

Meu distinto senador,

Você é astuto e sagaz,

Querer privatizar a água

Prova do que és capaz.

Do jeito que você é

Destrona até Satanás.

Já vendeste a energia,

Cuja empresa era estatal,

E queres privatizar

Água – um bem universal!

Tu serás bem-vindo aqui,

Grande senador do mal!

Eleito por um Estado

Onde a seca sempre assola,

Mas para a população

Nunca moveste uma mola.

Queres toda a água agora

Para fazer coca-cola?

Quanto mais dinheiro tens,

Mais tu queres ter tutu,

Nós vemos tua ganância,

Eu, Capeta e Belzebu.

O inferno inteiro te espera,

“Coroné dos zói azu”!

Tasso você é amigo,

Mas tá me causando espanto.

Não aceito concorrência,

Meu rosto já rola pranto,

Já estou é percebendo

Que tu quer tomar meu canto.

Quando chegar no inferno

Você será aclamado,

"Galego dos olhos azul",

Capitalista afamado.

Seguindo assim, "nas profundas",

Tu serás condecorado!

Posso até mudar seu nome:

Tassanás te chamará

Com essa sua jogada

O mundo conhecerá

Entre Tasso e Satanás

Que diferença não há.

Aqui no inferno todos

Querem contigo aprender,

Melhorar o repertório

Pra mais maldades fazer.

Jamais te superarão,

Oh, mestre do malquerer!!!

Como embaixador do inferno

Prossiga em sua maldade,

Passe por cima de pobre

Pra viver com qualidade,

Que depois o próprio pobre

Lhe implora por caridade.

Água não é para todos,

Siga a privatização.

Apenas finja ser bom

Em período de eleição,

Mas agora você faça

O mal pra sua nação.

Também a telefonia,

Por preço muito mirrado,

Tu vendeste, meu galego,

Desmilinguiu o Estado.

Quer rifar os mananciais

De um povo já ressecado.

Portando várias safenas

Em São Pedro não medita

Toda nossa encanação

Mira em ganância maldita

O pobre vai passar sede

E nem mais banho cogita.

Mas o pior no vil enredo

Pra entupir nossos canos

É golpe na Educação

Usado em passados anos

Põe depois a pedra em cima

E por isso amo Tucanos!

O prefeito do inferno

Por ordem superior

Já vai lhe condecorar,

Estimado senador.

Que privatizará a água

Onde faz muito calor.

Aqui estamos contentes

Com o plano empresarial.

Em pouco tempo, o Brasil

Será nossa filial.

Dispensará combustíveis,

Será inferno natural.

Bolou um plano brilhante:

Pra fabricar cola-cola

Quer ser o dono da água,

No mal não possui bitola,

Vendendo refrigerante

No inferno fez escola.

Eu penso amolando os chifres:

Tu és o maior avaro!

Irmão, somos um só sangue,

Eu, você e Bolsonaro;

Nossa missão é fazer

O povo tomar no aro!

Ah, delícia de idiotas

Que votam na vossa laia!

O veneno da burrice

Do meu rabo de lacraia

Inoculado por biltres

Como Silas Malafaia.

Dizem orar pra Jesus

Em templos, que na verdade,

Pregam a minha doutrina,

Lá eu sou autoridade!

De cristãos só têm o nome,

Pra nossa felicidade!

Já você, tem outros modos,

Meu cheiroso Galeguinho.

Posa de grande empresário,

Filantropo (seu mesquinho!),

Enquanto tange os mandatos

Para o maior descaminho.

Acho lindos teus discursos

Mal ajambrados, capengas,

Na plenária ou aos repórteres,

Que lindas, toscas arengas;

Te sentes “a sumidade”,

Proferindo lengas-lengas.

Mas vamos aqui parar

Com tais classificações.

Sigamos para o trabalho:

Desviar aos borbotões

As águas de toda parte

Às nossas instalações!

Ao findar minha cartinha

Realizei meu afã.

Da sua mente perversa

Eu já me tornei um fã,

Assino aqui na outra linha

Seu velho amigo Satã.

Ao concluir sua carta

Satanás suspirou fundo

E falou: — O Tasso tem

Conhecimento profundo

Para cometer maldade

É ele o melhor do mundo!

Nosso Tasso é escolado

Que sempre engana à socapa.

Não sei porque não foi vice

De Bozo na sua chapa

Pra ganhar a eleição

Tinha sido uma garapa!

Lusbel escutando tudo

Falou assim: — Ora sebo!!!

Tasso sempre foi um mestre

Novinho, jovem mancebo,

Já era droga pesada

Porque nunca foi placebo.

Naquela hora sublime

Festejava o Satanás.

Pensou sorrindo: — O galego

Mostrou do que é capaz.

Com à água privatizada

Viverei dando risada

E de todos tiro a paz.

"Este nobre senador

Tem mostrado que é esperto.

Uma pessoa como ele

Eu quero sempre por perto.

Com ele no parlamento

A todo e qualquer momento

Meu canal está aberto".

"Galeguim dos zói azul –

Disse o capeta sorrindo –

Vais privatizar a água

Com a verdade omitindo.

Ele ficando mais rico,

Eu festejo e alegre fico

Por estar contribuindo.

“Não te esqueças, meu Galego,

Dessa nossa parceria!

Tu privatizas a água

Como tua mercadoria!

Vão comer em tua mão,

Principalmente o sertão

Onde água é iguaria”.

Mate esse povo de sede!

Tire-lhe o refrigério

Pra que pobre beber água?

Mas que falta de critério!

Água é pra quem tem dinheiro!

Privatize até bueiro,

Se morrer, tem cemitério!

Porém cuide, enquanto há tempo,

Pois tão fazendo um cordel

Denunciando a parceria –

E clamando a São Miguel –

E a Jesus que é comunista

Deus me livre de esquerdista

Essa escória é infiel.

Seja esse criminoso,

Faça valer sua história,

Pois esse povo sem água

Não terá escapatória.

Ficarão em teu curral,

Feito um bando de animal,

Mate de sede essa escória.

Esta privatização

Vai encher o meu caderno.

"Galeguim, dos zói azul"

Já que és homem moderno.

Vou fazer uma postagem

Te mostrar a homenagem

Que a ti fiz no inferno.

FIM

AUTORES:

Eduardo Macedo

Silvio Roberto Santos

Joaquim Mendes (Joames)

Pedro Paulo Paulino

Evaristo Geraldo da Silva

Jader Soares (Zebrinha)

Klévisson Viana

Rouxinol do Rinaré

Francisco Paiva Neves

Antônio Marcos Bandeira

Paulo Filho

Júnior do Cordel

Angelim do Icó

Demétrio Andrade

Antônio Queiroz de França

Leo Manoel

Capa: Cayman Moreira