Uma Corda, Um Cordel

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As Águas do Velho Chico

As águas do velho Chico

Já correm no meu Ceará.

Uma conquista importante,

Que ao povo vai ajudar.

Água é vida, fartura,

Pesca e agricultura,

Alegria no nosso lar.

O Nordeste sempre foi

Pela seca maltratado.

Como consequência disso

O nosso povo explorado.

Um fenômeno natural,

Usado por quem é mal,

Para manter seu reinado.

Chamada Indústria da seca

Que ao povo sempre usou.

Como bucha de canhão

Humilhado pelo “Dotô”.

Com farinha, feijão e tripa,

O conhecido Carro Pipa,

Como se fosse um favor.

Desde os tempos do Império

Planejou-se a transposição.

Marcos Antônio de Macêdo

Intendente e cidadão

Do Crato, antiga comarca

Um plano ele demarca

Pra resolver a situação.

Trinta anos se passaram

Até Dom Pedro II saber

Daquele ousado plano

Que pretendiam trazer

Do grande Rio, a torrente

Provocando uma enchente

E ao nosso povo atender.

Desistiram da empreitada

Pois Capanema, o Barão,

Disse que para tal obra

Não existia tostão.

No Araripe, a Chapada

Era difícil a retirada

E o projeto foi ao chão.

Por isso as grandes ações

Para a seca combater

Foi o açude do Cedro

Para ao povo atender.

Cumpriu bem o seu papel

Mas a estiagem cruel

Continuou a bater.

Bater no homem do campo

E no da cidade também.

Sobrevivendo a míngua

Com o pouco que ainda tem.

Fugindo do seu torrão

Em busca do ganha pão

Do jeito que lhe convém.

Com Epitácio Pessoa

Parecia vir à solução.

Numa viagem a Europa

Ele encontrou a solução

Com o Engenheiro Fonseca

Parecia que agora a seca

Iria embora do sertão.

O sonho da transposição

Mais uma vez fracassou.

Na cadeira da presidência

Epitácio Pessoa ordenou

De açudes a construção

Poços em todo sertão

E o povo assim se calou.

Uma fiscalização chefiada

Por Cândido Silva Rondon

Viu desvios de recursos

E vendo que não era bom

Mandou as obras parar

De novo em vez de ajudar

Esvaiu-se como o som.

No Governo Militar

Andreazza, o Coronel

Deu a João Filho a missão

Pra cumprir esse papel

Retomar o grande projeto

E de novo o intento

Foi para o beleleu.

O sofrimento do povo

Não parou de ocorrer.

Década de setenta e oitenta

A seca fazendo sofrer.

De novo as velhas ações

Denominadas bolsões

Para ao povo socorrer.

No Governo de Itamar

Teve mais uma tentativa.

O Ministro Aluízio Alves

Uma proposta mitiga

Para tentar aliviar

Um filete d’água tirar

E de novo não deu liga.

Em noventa e sete a seca

Trouxe enorme preocupação.

O sistema d’água colapsou

Atingindo cidade e sertão

E o canal do trabalhador

Em noventa dias brotou

Salvando a população.

A população da cidade

Fortaleza, a capital.

Pro sertanejo o flagelo

Da seca era o normal.

Promessa de resolver

Isso era fácil de ver

Antes do voto fatal.

Depois o esquecimento

E Deus para proteger.

Até que com Itamar

Deu ordens para fazer:

De Cabrobó ao Ceará

Um eixo para levar

Água pro povo beber.

O Governo de Pernambuco

Através do Governador.

Pede para o Presidente

No momento de transpor

Incluir um eixo novo

Beneficiando ao povo

De todo aquele arredor.

Cidades da Paraíba

Do Rio Grande do Norte.

Com ampliação do projeto

Iriam ter outra sorte.

Mais cidades beneficiadas

E as cifras levantadas

Tiveram um novo aporte.

E no Governo Itamar

A transposição parou.

Entrou o Governo Lula

E a luta continuou.

Liberações ambientais,

Protestos e muito mais,

Até que finalmente, iniciou.

As obras desse projeto

De importância vital.

Agosto de dois mil e sete

O pontapé inicial.

Em Itaparica, Eixo Leste,

Em Cabrobó, Eixo Norte,

Vitória do povo afinal.

Com previsão de trabalho

E em três anos terminar.

As obras se arrastaram

Pareciam nunca acabar.

Aditivos, paralisações,

Entre outras complicações,

Fazia-nos desanimar.

Dilma e Temer passaram

Sem a obra retomar.

Até chegar Bolsonaro

E prometer entregar.

Tão sonhada engenharia

E finalmente chega o dia

Da sua promessa pagar.

Vinte e seis do mês de junho

O Eixo Norte é liberado.

Levando água a granel

Pro povo necessitado.

Vida nova pro sertão

Esperança pro povão

Que sempre foi massacrado.

Uma obra que arrastou-se

Desde o tempo imperial.

Hoje é uma realidade

Algo muito especial

Quem sabe a libertação

Que Deus coloque a mão

E nos livre de todo mal.